Na última quarta-feira (06), quatro policiais
e duas viaturas viram um condutor fugir de uma Blitz com sorriso irônico. Isso desistimula.
“Falei com o governador e a coisa não mudou.
Agora falta falar com quem? Com Deus? O que eu tenho folgado aqui é cone, tem
muito. Mas quando eu digo que está difícil é porque está mesmo. Continuamos a
fazer nosso trabalho apenas por responsabilidade social. Mesmo que eu quebre
meus ossos, eu vou fazer por ter assumido compromisso com a população, com
famílias que perderam entes queridos no trânsito, como a do ciclista da Rota do
Sol”.
O novo desabafo do Tenente Eann Styvenson
Valentin Mendes sobre a piora na estrutura da Operação Lei Seca é mais um entre
inúmeras aparições na imprensa que ele faz para cobrar “o possível, não o
ideal” e chamar a atenção para a negligência do poder público diante de um dos
principais causadores de mortes no Brasil. Na última quarta-feira (06), na
avenida Engenheiro Roberto Freire, na entrada da própria Rota do Sol, situações
inacreditáveis foram revividas.
Sem os quatro agentes de trânsito do Detran,
após a mudança na coordenação do setor de Educação e Fiscalização do órgão
(saiu Adriano Barbosa e entrou Débora de Faria Gurgel), houve uma queda
drástica no número de carros parados, em uma relação de 70% – da média de 500
veículos interceptados, em 2014, anteontem foram apenas 140. “Teve um motorista
que abriu a porta e saindo rindo, correndo. Ele voltou no dia seguinte para
pegar o carro”.
Com apenas duas viaturas, uma picape, uma
van-escritório e quatro policiais militares, sobrou a resignação. Dos quatro
bafômetros disponíveis, apenas dois funcionavam, na noite retrasada. “O ideal
para darmos segurança à população em grande escala seria termos uns 60
policiais, dez viaturas e, pelo menos, quatro microônibus. Mas sei que isso é
inviável. Então, dentro do possível, uns 15 policiais e seis viaturas já
melhoraria muito”.
No começo de abril, o Tenente Styvenson se
reuniu com o governador Robinson Faria e a cúpula da segurança pública
estadual, após informar que abandonaria a Operação Lei Seca. Com a repercussão
negativa nas redes sociais, elogios ao trabalho nas blitzes e promessas de
novos investimentos foi o saldo da conversa. Mas até agora a situação permanece
incomoda. “Foi a primeira e única vez que falei com ele [o governador Robinson
Faria]. São coisas fáceis, simples de serem conseguidas. Eu não estou pedindo
helicóptero, iate, nada disso”.
O último recurso seria falar com o chefe do
Executivo estadual. “Cansei de falar, de pedir estrutura. O pior é que me
comprometi com a população, com as famílias de pessoas que morreram no
trânsito. Com tudo ou nada, eu vou fazer. A pessoa não pode ser egoísta e
pensar só nela. E a população? Eu tenho palavra. Cumpro o que prometi”, diz o
também palestrante que, diariamente, orienta crianças, adolescentes e adultos
em escolas e universidades.
“Acredito que esse nosso trabalho, que não é
só de prender, mas também de educar, vai surtir efeito, com o tempo. As
próprias pessoas vão terminar reprovando o familiar que bebe e dirigi. O que
não pode é a gente parar. Acho que isso vai transformar as pessoas. Com o tempo
e persistência, isso vai acontecer”.
Detran
Sem fornecer os quatro agentes de trânsito
que costumam participar das blitzes ao lado da equipe comandada pelo Tenente
Styvenson, o Detran trocou de coordenador em seu setor de Educação e
Fiscalização de Trânsito. Contatado pela reportagem, a assessoria de
comunicação informou que a direção geral se reunirá nesta sexta-feira (08) com
a nova coordenadora, Débora de Faria Gurgel, para definir um plano de ação
conjunta. Ela assumiu o cargo hoje, o que seria prematuro para qualquer
posicionamento sobre a participação do órgão. A assessoria informou ainda que
as alterações sobre o que será feito serão divulgadas “o mais rápido possível”.
Portal JH
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