Uma cena inusitada marcou a terceira fase da Operação Barco de Papel, realizada nesta quarta-feira (11/2): ao perceber a chegada dos agentes, um ocupante de um apartamento em Balneário Camboriú (SC) lançou pela janela uma mala recheada de dinheiro em espécie. O valor foi recolhido imediatamente pelos policiais.

A ação integra a investigação conduzida pela Polícia Federal do Brasil sobre suspeitas de crimes financeiros ligados à gestão de recursos da Rioprevidência e operações com o Banco Master.

No vídeo do momento, publicado nas redes sociais, é possível ver inúmeras notas de dinheiro espalhadas pelo chão após a queda da mala. Um homem também aparece nas imagens se abaixando com gestos que demonstravam estar apanhando as cédulas caídas.

Onde ocorreram as buscas

Dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços associados aos investigados nas cidades catarinenses de:

  • Balneário Camboriú
  • Itapema

As ordens partiram da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, diante de indícios de ocultação de provas e tentativa de interferência na apuração.

Além do dinheiro, os agentes recolheram dois veículos de luxo e dois celulares para perícia.

Quem está no centro da apuração

O ex-presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes, é apontado como figura central do caso. Ele está preso desde 3 de fevereiro, quando foi detido na segunda fase da operação.

A suspeita é de que tenha direcionado cerca de R$ 1 bilhão para aplicações consideradas irregulares e, depois, adotado medidas para dificultar o acesso a provas.

A prisão ocorreu na Via Dutra, no Sul Fluminense, em ação conjunta da PF com a Polícia Rodoviária Federal, logo após ele desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos vindo dos Estados Unidos.

O deslocamento terrestre, considerado incomum, entrou na linha investigativa.

Elementos que levaram às novas diligências

Após a etapa inicial, os investigadores identificaram movimentações consideradas suspeitas:

  • Retirada de documentos de imóveis vinculados ao investigado
  • Alterações em registros digitais de celulares e computadores
  • Transferência de carros de alto valor para terceiros
  • Exclusão de imagens de câmeras de segurança

Esses fatos fundamentaram os pedidos de prisão e as novas buscas.

Dois homens também foram presos em um escritório de advocacia em Santa Catarina, sob suspeita de auxiliar na retirada e ocultação de materiais.

O ponto de partida do inquérito

O foco é a compra de Letras Financeiras do Banco Master, posteriormente liquidado pelo Banco Central. Entre novembro de 2023 e julho de 2024, a Rioprevidência teria aplicado cerca de R$ 970 milhões nesses títulos.

Para a PF, tratava-se de papéis de alto risco, com prazos longos e sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — perfil incompatível com um regime próprio de previdência. A hipótese é de decisões sem respaldo técnico suficiente e com possível favorecimento a interesses privados.

BNews Natal