Maços de dinheiro foram encontrados em diferentes cômodos da casa dele em Mossoró. No primeiro quarto, a Polícia Federal se deparou com uma quantia que o investigado atribuiu à sua mãe.

O auto de apreensão descreve que no quarto e no closet de Almir Mariano, que estava com o namorado na hora da ação da PF, foram encontrados R$ 6,8 mil na mochila do namorado.

Distribuídos entre pertences, mochilas e gavetas, a PF achou mais R$ 50.700,00. No total foram 57.500,00 apreendidos na casa do secretário de Allyson.

Os agentes da PF também fizeram registro de seringas, ampolas, medicamentos e três veículos que estavam na casa de Almir Mariano, uma BMW X1, de propriedade do secretário; Uma Triton L-200, apontada como de propriedade do namorado de Almir e uma Mitsubishi L200 Triton, pertencente à Ufersa, da qual Almir é professor.

Almir Mariano é apontado pela PF como peça fundamental na engrenagem administrativa que permitiu a continuidade dos desvios de recursos na saúde de Mossoró.

As condutas e responsabilidades atribuídas a ele nos documentos da Operação Mederi são:

  • Continuidade do Esquema Criminoso (Sucessão na Fraude)
    A investigação aponta que Almir assumiu a pasta, remanejado da secretaria de Programas e Projetos, em janeiro de 2025, quando o esquema já estava estruturado e garantiu a sua continuidade. Ele permaneceu à frente da saúde até agosto, quando Allyson o devolveu para a pasta originária.

Em seu lugar, o prefeito colocou no comando da pasta central das fraudes descritas pela PF Morgana Dantas, que estava na Assistência Social e que comandara durante todo o primeiro ano de gestão Allyson a saúde de Mossoró. Morgana também foi alvo da Operação Mederi.

A Almir são atribuídas, sobre a continuidade delitiva, as seguintes condutas:

  • A Prova Temporal: Áudios captados em maio de 2025 (três meses após a sua posse) mostram os empresários a discutir a “Matemática de Mossoró” e o pagamento de propinas, provando que o esquema operava durante a sua gestão.
  • Manutenção da Equipe: Almir manteve nos cargos a mesma gestora de contratos (Samanta Souza Marques) e o mesmo fiscal (Diego Patrício) da gestão anterior, que são apontados como os executores operacionais da fraude (atestando recebimento de medicamentos não entregues).
  1. Atos Administrativos Específicos (A “Caneta”)
    Como Ordenador de Despesas e autoridade máxima da pasta, a assinatura do secretário de Allyson é vinculada aos atos que geraram prejuízo ao erário:
  • Homologação de Licitações: Almir Mariano foi responsável por homologar licitações onde a empresa DISMED se sagrou vencedora, mantendo-a como principal beneficiária dos recursos da saúde.
  • Pagamentos de Faturas Suspeitas: Dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN) mostram que, sob a sua gestão, foram emitidas ordens bancárias em favor da DISMED. A PF argumenta que ele autorizou pagamentos por produtos que, segundo as escutas, não eram entregues na totalidade.
  1. Conivência Necessária ou “Cegueira Deliberada”
    A decisão judicial argumenta que a fraude descrita (pagar por 100% e receber apenas 50% dos medicamentos) seria impossível sem a anuência do Secretário de Saúde.
  • A PF conclui que a sua contribuição na estrutura delitiva foi garantir as “condições administrativas necessárias” para o funcionamento do esquema.
  • O texto afirma que Almir “deve ter aderido a ele [ao esquema] ou, no mínimo, optado por não o coibir”, configurando uma omissão deliberada diante de irregularidades macroscópicas.

Medidas Tomadas
Alvo de Busca e Quebra de Sigilo Devido a estas condutas, Almir foi alvo de medidas cautelares diretas na operação de 27 de janeiro de 2026:

  • Busca e Apreensão: A sua residência em Natal (Rua Lúcia Viveiros) e o seu endereço funcional foram alvo de buscas pela Polícia Federal.
  • Devassa Digital: Foi autorizada a quebra de sigilo e extração de dados dos seus dispositivos e nuvem (iCloud/Google) referentes aos últimos 24 meses

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