Em meio ao novo cenário de instabilidade política na Venezuela, agravado pela captura de Nicolás Maduro e pelo redesenho forçado do poder em Caracas, vêm à tona negócios bilionários que ligam grandes nomes do capitalismo brasileiro ao setor petrolífero venezuelano. Entre eles estão o banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário Joesley Batista.

Segundo revelou o jornalista Lauro Jardim, em coluna publicada nesta quinta-feira (5) no jornal O Globo, Vorcaro tornou-se sócio de poços de exploração de petróleo na Venezuela a partir de 2024, por meio de um modelo de negócios considerado complexo e pouco transparente. O ex-controlador do Banco Master, hoje no centro de investigações financeiras no Brasil, teria investido cerca de US$ 150 milhões no empreendimento, conforme relatado por ele próprio a interlocutores.

Com o agravamento da crise política venezuelana e a saída de Maduro do poder, o investimento passou a gerar apreensão no círculo próximo ao banqueiro. A instabilidade institucional e o cenário geopolítico volátil colocam em risco o capital aplicado no país, cuja economia depende fortemente da exploração de petróleo.

Na mesma reportagem, Lauro Jardim também aponta que a J&F Investimentos, holding controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, é proprietária de poços de exploração de petróleo na Venezuela desde 2024. O movimento representa uma guinada estratégica do grupo, conhecido principalmente por sua atuação nos setores de alimentos, finanças e energia, inserindo-o diretamente no mercado petrolífero de um dos países mais instáveis do mundo.

O episódio ganha contornos ainda mais delicados pelo viés político. De acordo com o colunista, em novembro do ano passado, Joesley Batista esteve em Caracas em uma tentativa de convencer Nicolás Maduro a deixar o poder antes de uma possível intervenção direta do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A influência do empresário junto ao regime teria ficado evidente pelo fato de ele ter sido recebido pessoalmente por Maduro, privilégio restrito a poucos estrangeiros fora do circuito diplomático formal.

Apesar do peso econômico e político dessas operações, há escassez de informações oficiais sobre os investimentos da J&F no setor de energia venezuelano. O silêncio, segundo jornalistas que acompanham o caso, não é casual.